Ondas de choque para o tratamento da disfunção erétil

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Litotripsia Extracorporea por ondas de choque de baixa intensidade: nova modalidade terapêutica para disfunção erétil?

Atualmente 52% dos homens entre 40 e 70 anos possuem algum grau de disfunção erétil (DE) e anualmente 26 em cada 1000 homens são diagnosticados1. Desde o final da década de noventa, medicamentos como Viagra, Cialis, Levitra entre outros se tornaram a modalidade terapêutica de escolha para a DE, devido a sua grande eficácia e baixa invasividade. No entanto, possuem diversos aspectos que devem ser considerados: 1) taxas de efeitos adversos não desprezíveis; 2) uso sob demanda, privando o paciente da espontaneidade das relações; 3) contra indicações para sua utilização, como por exemplo em pacientes cardiopatas de alto risco; 4) alta taxa de abandono de uso. Além disso, o uso destas drogas não “curam” a DE, uma vez que não alteram a causa da doença de forma definitiva.

Desta maneira, novas terapêuticas para DE vem sendo constantemente pesquisadas. Baseado em um dos fatores envolvidos na causa da DE ( deficiência de fluxo sanguíneo peniano) e na experiência do uso em outras enfermidades ( doenças ortopédicas; cicatrização de feridas e etc), surgiu a hipótese do uso da litotripsia extracorpórea de baixa intensidade (LEBI) no tratamento da DE. A LEBI consiste de ondas de choques que se propagam e chegam até os tecidos ocasionando microtraumas mecânicos denominados “shear stress”. Esse processo desencadeia uma resposta dos tecidos afetados com liberação de fatores que estimulam a formação de novos vasos sanguíneos locais, ocasionando uma melhor vascularização peniana e consequentemente melhora da ereção. Com base em protocolos de LEBI utilizados em doenças cardiovasculares, criou-se um protocolo para utilização peniana que consiste de: 2 sessões semanais por 3 semanas, 3 semanas de descanço seguido de mais 2 sessões semanais por mais 3 semanas. Cada sessão dura em média 20 minutos e se utiliza um aparelho especificamente criado para utilização na região do pênis.

Estudos clínicos iniciais demonstram uma melhora significativa de cerca de 75% dos pacientes submetidos a LEBI quando comparados com um grupo controle. Em nenhum dos estudos houve a ocorrência de nenhum efeito adverso significativo. Apesar das evidências demonstrarem boa eficácia e segurança no uso da LEBI para DE, os estudos existentes são na sua maioria de baixa evidência cientifíca ainda. Desta maneira, algumas perguntas ainda permanecem sem resposta, como por exemplo, quais pacientes seriam os candidatos ideais e quanto tempo dura o efeito clinico da LEBI. Em resumo, a LEBI promete ser uma terapia eficaz para DE, no entanto um longo caminho necessita ser percorrido com novos estudos clinicos e de pesquisa básica para sedimentar seu papel no arsenal terapêutico da DE.

 

Bibliografia

  1. Feldman HA, et al. Impotence and its medical and psychosocial correlates: results of the Massachusetts Male Aging Study. J Urol 1994 151(1): p. 54 -61.
  2. VardiY,AppelB,JacobG,MassarwiO,GruenwaldI.Canlow-in- tensity extracorporeal shockwave therapy improve erectile func- tion? A 6-month follow-up pilot study in patients with organic erectile dysfunction. Eur Urol 2010;58:243-8.
  3. Gruenwald I, Appel B, Vardi Y. Low-intensity extracorporeal shock wave therapy: a novel effective treatment for erectile dys- function in severe ED patients who respond poorly to PDE5 in- hibitor therapy. J Sex Med 2012;9:259-64.
  4. Chi-Hang Yee, Eddie SY Chan, Simon See-Ming Hou and Chi-Fai Ng Extracorporeal shockwave therapy in the treatment of erectile dysfunction: A prospective, randomized, double-blinded, placebo controlled study. International Journal of Urology (2014) 21, 1041–1045
  5. Vardi Y, Appel B, Kitrey N.D, Massarwa O, Gruenwald I. Low-in- tensity shockwave treatment for ED – long term follow up of 2 years [abstract]. In: The 29th European Association of Urology Annual Congress; 2014 Apr 11-14; Stockholm, Sweden. Arnhem: European Association of Urology; 2014.
  6. Vardi Y, Appel B, Kitrey ND, Massarwa O, Gruenwald I. Additional shockwave treatment improves erectile function in patients with poor response to the standard shockwave protocol [abstract]. In: The 29th European Association of Urology Annual Congress; 2014 Apr 11-14; Stockholm, Sweden. Arnhem: European Association of Urology; 2014.

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