É muito comum que a dificuldade de engravidar traga uma carga emocional profunda para o casal, e o silêncio costuma ser o primeiro refúgio do homem quando a suspeita recai sobre a sua fertilidade. Muitos adiam a busca por ajuda por vergonha, frustração ou medo de receber um diagnóstico definitivo que abale a sua masculinidade. No entanto, a verdade é que as alterações reprodutivas masculinas são queixas frequentes e, na imensa maioria das vezes, possuem causas anatômicas e fisiológicas perfeitamente contornáveis. O tratamento para varicocele e infertilidade, por exemplo, representa um dos caminhos mais seguros e eficazes para devolver a vitalidade e a esperança aos homens que sonham com a paternidade. O mais importante é compreender que você não precisa enfrentar essa jornada sozinho e que o consultório médico é um ambiente seguro, livre de julgamentos, onde a ciência atua em prol da sua qualidade de vida.
Na minha prática diária, busco entender a saúde masculina de forma ampla e integral. Acredito firmemente que a medicina moderna não se baseia em ditar regras ou impor procedimentos, mas sim em construir uma parceria especializada. A relação médico-paciente deve ser de extrema confiança, como a de um melhor amigo que domina a ciência e caminha ao seu lado. Uma queixa de infertilidade nunca é apenas um número no exame de espermograma; é um projeto de vida que demanda escuta ativa, tempo e decisões compartilhadas. Por isso, a nossa primeira conversa não tem pressa. Precisamos de tempo para avaliar o seu histórico, analisar os seus exames complementares com critério e entender as suas expectativas. Somente assim, podemos traçar o melhor planejamento terapêutico para o seu caso.
O que é a varicocele e por que ela ocorre?
Para compreendermos a relação entre a varicocele e a saúde reprodutiva, é fundamental entendermos a anatomia do sistema reprodutor masculino. A varicocele consiste na dilatação anormal das veias que drenam o sangue dos testículos, formando o que chamamos de plexo pampiniforme. De forma mais simples, podemos comparar a varicocele às varizes que ocorrem nas pernas, mas localizadas dentro da bolsa escrotal. Essa condição afeta cerca de quinze por cento da população masculina em geral, mas a sua prevalência salta para cerca de quarenta por cento entre os homens que enfrentam problemas para ter filhos pela primeira vez.
O desenvolvimento dessa dilatação venosa está intimamente ligado à anatomia do corpo humano. A veia testicular esquerda, por exemplo, drena o sangue em um ângulo reto diretamente para a veia renal esquerda, o que cria uma pressão hidrostática maior desse lado. É por esse motivo anatômico que a imensa maioria dos casos de varicocele ocorre no testículo esquerdo, embora também possa ocorrer no lado direito ou ser bilateral. Quando as válvulas internas dessas veias não funcionam adequadamente, o sangue encontra dificuldade para retornar ao coração e acaba se acumulando ao redor do testículo, gerando o ingurgitamento e a dilatação vascular que caracterizam a doença.
Como a varicocele afeta a fertilidade masculina?
A pergunta que muitos pacientes trazem ao consultório é clara: como uma simples dilatação de veias pode impedir um homem de ser pai? A resposta reside em uma combinação de fatores fisiológicos complexos que alteram o microambiente testicular. O primeiro e mais documentado desses fatores é o aumento da temperatura. Os testículos estão localizados na bolsa escrotal, fora da cavidade abdominal, justamente porque a produção de espermatozoides (espermatogênese) exige uma temperatura de cerca de um a dois graus Celsius abaixo da temperatura corporal. O sangue acumulado pelas veias dilatadas da varicocele funciona como um aquecedor, elevando a temperatura local e prejudicando severamente a fábrica de espermatozoides.
Além do aumento da temperatura, o refluxo de sangue venoso pode trazer substâncias tóxicas dos rins e das glândulas adrenais diretamente para o ambiente testicular. Esse acúmulo de metabólitos prejudica a qualidade do sêmen. Outro fator crucial, que a medicina moderna tem estudado profundamente, é o estresse oxidativo. A estagnação sanguínea gera um aumento de radicais livres, que danificam a membrana dos espermatozoides e, mais grave ainda, causam a fragmentação do DNA espermático. Um espermatozoide com o DNA altamente fragmentado pode até conseguir fecundar o óvulo, mas as chances de falha no desenvolvimento embrionário e de abortos de repetição aumentam consideravelmente. Por isso, a cirurgia de varicocele e infertilidade ganha tanto destaque na andrologia moderna como uma forma de restaurar esse microambiente e proteger o material genético masculino.
Sintomas da varicocele: como saber se há algo errado?
Um dos grandes desafios no diagnóstico da varicocele é que, na maior parte das vezes, ela é uma doença completamente silenciosa. Muitos homens chegam ao urologista sem sentir absolutamente nada, descobrindo o problema apenas durante a investigação de um quadro de infertilidade conjugal. Contudo, quando há sintomas, a queixa mais comum é uma sensação de peso ou desconforto contínuo na bolsa escrotal, que costuma piorar ao longo do dia, especialmente após longos períodos em pé ou após a prática de atividades físicas intensas. Esse desconforto costuma aliviar quando o paciente se deita, pois a posição horizontal facilita o retorno venoso e diminui o inchaço local.
Em alguns casos mais avançados, o próprio paciente pode notar alterações estéticas ou físicas. Durante o banho, ao apalpar a bolsa escrotal, é possível sentir um aglomerado de vasos que frequentemente é descrito pela literatura médica como uma sensação de “saco de vermes”. Além disso, a presença prolongada da varicocele, especialmente quando surge na adolescência, pode comprometer o desenvolvimento do testículo afetado, levando a uma diminuição do seu tamanho (atrofia testicular). Por isso, a avaliação de um médico especialista em saúde sexual masculina é indispensável não apenas para quem deseja ter filhos, mas para a manutenção da saúde integral do homem.
Como é feito o diagnóstico em uma consulta de excelência?
O diagnóstico correto e minucioso é a base para qualquer decisão terapêutica bem-sucedida. Como urologista em São Paulo, prezo para que a nossa avaliação fuja do padrão apressado que, infelizmente, se tornou comum na saúde suplementar. A consulta é o nosso momento de alinhamento e dura o tempo que for necessário. O primeiro passo é uma anamnese detalhada, na qual conversaremos sobre o seu histórico de saúde, uso de medicações, estilo de vida, exposição a toxinas e, claro, o histórico reprodutivo do casal.
Em seguida, realizamos o exame físico, que é o padrão-ouro para o diagnóstico clínico da varicocele. O paciente é examinado em pé, em um ambiente confortável e climatizado, onde solicito que realize a manobra de Valsalva (fazer força como se fosse evacuar). Essa manobra aumenta a pressão abdominal e torna as veias dilatadas mais evidentes ao toque. As varicoceles são classificadas em graus: grau I (pequenas, palpáveis apenas com a manobra de Valsalva), grau II (médias, palpáveis em repouso) e grau III (grandes, visíveis a olho nu).
Para complementar a nossa avaliação, solicitamos exames de imagem e laboratoriais. O ultrassom com Doppler da bolsa escrotal nos ajuda a medir o diâmetro das veias e documentar o refluxo sanguíneo com precisão. O espermograma, realizado com máxima qualidade e abstenção sexual adequada, é o exame central para avaliar o impacto da varicocele na fertilidade, medindo a concentração, a motilidade e a morfologia dos espermatozoides. Quando necessário, aprofundamos a investigação solicitando o teste de fragmentação de DNA espermático, o que nos dá uma visão microscópica da saúde reprodutiva.
Todo homem com varicocele precisa de cirurgia?
Essa é, sem dúvida, uma das perguntas mais frequentes que recebo no consultório, e a resposta reforça a importância do atendimento individualizado: não. A simples presença de veias dilatadas na bolsa escrotal não é uma indicação absoluta para cirurgia. O tratamento cirúrgico é discutido e recomendado em situações específicas, baseadas em evidências científicas e sempre em decisão conjunta com o paciente e sua parceira.
Nós consideramos a intervenção cirúrgica quando o casal apresenta infertilidade comprovada, a parceira tem exames normais (ou causas de infertilidade tratáveis), o homem apresenta um espermograma com alterações significativas e a varicocele é clinicamente palpável. Além da infertilidade, existem outras indicações importantes. Nos adolescentes, por exemplo, indicamos a cirurgia quando notamos que o testículo afetado parou de crescer em comparação ao lado saudável, visando proteger a função testicular futura. Outra indicação válida, embora menos comum, é a presença de dor escrotal intensa e contínua que prejudica a qualidade de vida do paciente, desde que outras causas para a dor tenham sido exaustivamente descartadas.
O mais importante é entender que não existe uma imposição. Como andrologista em SP, o meu objetivo é apresentar todos os dados, explicar os prós e contras, avaliar o momento de vida do casal e, juntos, tomarmos a decisão mais segura e promissora. Essa é a verdadeira essência das decisões compartilhadas.
A microcirurgia de varicocele: precisão e segurança
Quando decidimos seguir com a intervenção cirúrgica, o padrão-ouro atual na medicina mundial é a varicocelectomia subinguinal microcirúrgica. É fundamental destacar que a tecnologia e o treinamento cirúrgico refinado mudaram completamente o cenário desse procedimento. No passado, cirurgias abertas convencionais apresentavam altas taxas de recidiva e complicações. Hoje, utilizamos microscópios cirúrgicos de alta potência e instrumental de precisão para garantir um procedimento seguro, eficaz e com recuperação muito mais rápida.
O procedimento é realizado em ambiente hospitalar, geralmente sob anestesia raquidiana ou geral leve. Fazemos uma incisão muito pequena, de cerca de dois a três centímetros, na região da virilha (logo abaixo da linha da cueca). Com o auxílio do microscópio cirúrgico, que amplia a nossa visão em até vinte vezes, dissecamos cuidadosamente o cordão espermático. O objetivo é identificar e amarrar (ligar) exclusivamente as veias dilatadas que estão causando o refluxo de sangue.
A grande vantagem do uso do microscópio é a preservação milimétrica de estruturas nobres. Conseguimos identificar e poupar a artéria testicular, garantindo que o testículo continue recebendo sangue rico em oxigênio. Além disso, preservamos os vasos linfáticos, o que reduz drasticamente o risco de formação de hidrocele (acúmulo de líquido ao redor do testículo) no pós-operatório. Esse cuidado cirúrgico de ponta a ponta reflete o nosso compromisso inegociável com a saúde do homem e qualidade de vida.
Recuperação e expectativas após a cirurgia
A recuperação da cirurgia microcirúrgica de varicocele costuma ser rápida e muito bem tolerada. O paciente geralmente recebe alta no mesmo dia do procedimento. Nos primeiros dias, o repouso relativo, a aplicação de gelo local e o uso de suspensório escrotal são medidas simples e altamente eficazes para controlar o leve inchaço e o desconforto que podem surgir. Analgésicos comuns são prescritos para garantir que o paciente não sinta dor. Na maior parte dos casos, o retorno ao trabalho administrativo ocorre em cerca de dois a três dias, enquanto as atividades físicas intensas e as relações sexuais são retomadas, em média, após duas a três semanas, conforme a evolução individual.
No que diz respeito à infertilidade, é preciso alinhar as expectativas com a biologia do corpo humano. O processo de formação de novos espermatozoides (espermatogênese) leva aproximadamente setenta e dois dias. Portanto, não adianta repetir o espermograma na semana seguinte à cirurgia. Nós avaliamos os primeiros resultados concretos do tratamento após um período de três a seis meses. Os estudos demonstram que cerca de sessenta a oitenta por cento dos homens apresentam uma melhora significativa nos parâmetros do sêmen após a microcirurgia, aumentando substancialmente as chances de uma gravidez espontânea ou melhorando os resultados de técnicas de reprodução assistida, caso estas ainda sejam necessárias.
Varicocele e a produção de testosterona: qual a relação?
Um aspecto muito interessante e que ganha cada vez mais evidência na andrologia moderna é a relação entre a varicocele e a função endócrina do testículo. Embora a preocupação primária seja a infertilidade, o testículo também é a principal fábrica de testosterona do corpo masculino, produzida por células chamadas células de Leydig. O mesmo estresse oxidativo e o aumento de temperatura que prejudicam os espermatozoides podem, ao longo dos anos, causar disfunção nessas células, afetando a produção hormonal.
Portanto, além de avaliar a fertilidade, investigamos possíveis causas da baixa de testosterona no homem. Muitos pacientes com varicocele de alto grau e longa data podem apresentar níveis limítrofes ou baixos desse hormônio essencial, acompanhados de fadiga, perda de massa muscular, alterações de humor e queda de libido. Estudos recentes sugerem que, em casos selecionados, o reparo microcirúrgico da varicocele pode proporcionar um modesto, porém significativo, aumento nos níveis de testosterona endógena, promovendo um resgate da vitalidade masculina. É uma prova de que cuidar de uma queixa específica nos permite promover uma melhora sistêmica na saúde do paciente.
Outros cuidados urológicos: a importância da visão global
Durante a nossa avaliação, seja em nossos consultórios no Cerqueira César ou na região do Jardim Perdizes, fazemos questão de olhar para a saúde do homem de forma completa. Um paciente que nos procura por infertilidade ou baixa de testosterona também merece atenção às demais esferas do trato geniturinário.
Conforme o homem envelhece, outras preocupações passam a integrar a nossa pauta de prevenção e cuidado. A prevenção do câncer de próstata, por exemplo, deve ser abordada de maneira leve, desmistificando o medo do toque retal e valorizando o diagnóstico precoce. Da mesma forma, avaliamos sintomas relacionados à próstata aumentada (hiperplasia prostática benigna). Se o paciente apresenta dificuldade para urinar ou acorda várias vezes à noite, discutimos abordagens que vão desde o tratamento clínico até terapias minimamente invasivas, sempre priorizando a preservação da função sexual. A saúde masculina não é dividida em gavetas; ela é um todo que exige expertise técnica e sensibilidade humana para ser bem cuidada.
FAQ – Dúvidas frequentes sobre varicocele e saúde sexual
Para desmistificar ainda mais o tema, compilei as respostas para as perguntas mais comuns que surgem durante as consultas:
- Varicocele causa impotência sexual? Não existe uma relação anatômica direta entre a varicocele e a disfunção erétil. A ereção depende da integridade vascular, neurológica e psicológica. No entanto, se a varicocele causar uma diminuição acentuada da testosterona ao longo dos anos, essa queda hormonal pode afetar a libido e a qualidade da ereção. Caso haja queixas de desempenho, avaliamos e propomos o tratamento moderno para impotência sexual de forma paralela e dedicada.
- Existe remédio para curar a varicocele? Não. A varicocele é um problema físico e anatômico (dilatação de veias). Nenhuma medicação oral é capaz de corrigir essa falha nas válvulas venosas. O uso de vitaminas e antioxidantes pode ser recomendado como coadjuvante para melhorar a qualidade do sêmen temporariamente, mas a correção definitiva exige procedimento cirúrgico.
- A cirurgia afeta o tamanho do pênis ou a sensibilidade? Absolutamente não. A microcirurgia atua exclusivamente no cordão espermático, localizado na região da virilha. Não há nenhuma manipulação das estruturas nervosas ou vasculares que suprem o pênis. A sua sensibilidade, capacidade de ereção e orgasmo permanecem rigorosamente inalteradas.
- A varicocele pode voltar após a cirurgia? A recidiva é muito rara quando utilizamos a técnica microcirúrgica subinguinal, ocorrendo em menos de um a dois por cento dos casos. Esse é o grande diferencial de operar com instrumentos de magnificação de alta potência e com profissionais altamente especializados.
Por que confiar neste conteúdo?
Este artigo foi elaborado com base nas diretrizes das instituições mais respeitadas do mundo na área urológica e reprodutiva, incluindo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), a American Urological Association (AUA) e a European Association of Urology (EAU). O texto reflete o compromisso com a medicina baseada em evidências e foi redigido por mim, Dr. David Jacques Cohen (CRM/SP 116.788 | RQE 113303), Mestre e Doutor em Urologia pela FMABC, com Fellowships em Andrologia pelo Johns Hopkins Hospital e em Cirurgia Robótica pelo Cornell University. Meu objetivo é garantir precisão científica absoluta, traduzida em uma visão acolhedora, franca e parceira para a sua saúde integral.
Conclusão: um passo em direção ao seu bem-estar
O diagnóstico de varicocele e os desafios da infertilidade não devem ser enfrentados com medo, vergonha ou solidão. A medicina avançou imensamente para oferecer opções seguras e de rápida recuperação que protegem o seu projeto de constituir família e zelam pela sua vitalidade a longo prazo. O mais importante é dar o primeiro passo e quebrar o tabu de que os homens não precisam de cuidados contínuos.
Se você tem dúvidas sobre a sua fertilidade, sente desconfortos na região escrotal ou deseja uma avaliação completa e sem pressa da sua saúde masculina, não deixe que o tempo comprometa a sua qualidade de vida. O tratamento ideal é aquele que decidimos juntos, com ciência, empatia e dedicação total. Agende uma consulta presencial em um de nossos endereços ou inicie o seu seguimento on-line. Estarei à disposição para ser o parceiro que a sua saúde merece nesta importante jornada.





